Na noite do dia 7 de agosto as ruas da aldeia sede da freguesia encheram-se com centenas de pessoas para cantar e ouvir cantar as cantigas tradicionais de Manhouce. Esta edição, apesar de não estarem presentes alguns dos lugares habituais, devido a motivos de força maior, contou com a participação dos grupos da Bustarenga, Lageal, Malfeitoso, Manhouce, Sequeiro, Sernadinha, Vilarinho e ainda com As Cachopas, um grupo de sete meninas, com idades compreendidas entre os oito e os 15 anos que também integram a iniciativa.
Como é habitual, os grupos cantaram pelas ruas da aldeia e já no palco, no arraial, cada um apresentou mais duas cantigas, tendo finalizado o encontro com todos os participantes e o público a cantar em uníssono.
“É um encontro que, a cada ano, se tem vindo a consolidar e sentimos que já faz parte da freguesia. Emigrantes, luso descendentes e residentes juntam-se à volta do nosso canto e apresentam as várias cantigas que fazem parte da nossa cultura, tradições, da nossa identidade, porque por aqui nascia-se a ouvir cantar e vivia-se a cantar. Há uma expressão muito usada que caracteriza muito bem esta vivência: cantava-se do berço à cova e havia cantigas para todos os momentos da vida das nossas gentes”, destaca Domingos Duarte, presidente da Junta de Freguesia de Manhouce, promotora da iniciativa, que conta já com vários anos e que foi impulsionada por Isabel Silvestre, a cantadeira de Manhouce, que é o rosto da divulgação e preservação da cultura e tradições das suas gentes.
“No fim de cada grupo apresentar as suas cantigas terminámos com todos, mesmo todos, a cantar em uníssono e isso é um momento marcante. Esta é de facto uma atividade que promove as tradições, sobretudo o canto polifónico, mas também o encontro e a partilha entre todos. ”, salienta Domingos Duarte.
“Aqui toda a gente canta bem, impressiona a cantar, desde os mais pequenos até todas as pessoas dos lugares…, são extraordinários”, realçou o presidente da Câmara Municipal de S. Pedro do Sul, Pedro Mouro, presente no evento, afirmando que “este sinal que nós damos é muito importante e peço que não deixem esquecer as tradições, música, a etnografia, porque é um património que tem um valor incalculável e que temos de deixar para as gerações futuras. Incutir-lhes o gosto e este privilégio e isso é uma missão nossa, da Junta de Freguesia, associações, o rancho folclórico, o grupo de cantares… todos têm um papel essencial para manter estas tradições e sobretudo o canto”.
Também marcou presença o vereador Carlos Laranjeira que salientou a importância da iniciativa e a sua continuidade e enalteceu todos os artistas da noite que proporcionaram mais um grande momento em torno das tradições e cultura da sua freguesia.
